Em um cenário de preocupação mundial com a inflação, a perspectiva de risco fiscal e gastos excessivos do governo acendem alerta no Brasil.
O segundo é o chamado choque de oferta, em que a demanda por produtos, bens e serviços cresce e leva a uma abrupta elevação nos preços. Para 2023, a estimativa é que se repita o índice do ano passado, número bem acima da meta de 3,75%, e uma demonstração de que o monstro ainda não foi dizimado. Nessa linha de raciocínio, a perspectiva de um risco fiscal e gastos excessivos do governo só trazem mais incerteza, afastando investimentos. O monstro da inflação passou a ser uma memória distante, isso até o ano retrasado, quando o velho dragão, longe de estar morto, voltou a dar sinais de fumaça. Em 1993, a hiperinflação superou todos os recordes e cravou o índice de 2 477% acumulado em doze meses, um absurdo sob qualquer aspecto. Em meio a sucessivos planos de combate, o incontrolável aumento nos preços de bens, produtos e serviços cedia temporariamente para voltar cada vez mais avassalador.
'Inconsistências contábeis' revelaram um rombo bilionário na companhia listada no Novo Mercado da B3; dívida da Americanas chega a R$ 47,9 bi.
A crise na Americanas teve seu estopim no último dia 11 de janeiro, quando o então presidente da companhia, Sérgio Rial, revelou um rombo de 20 bilhões de reais por “inconsistências contábeis” no balanço da empresa. Nesta semana, a administração judicial da varejista, formada pelos escritórios Zveiter e Preserva, informou à 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que a dívida da companhia chega a 47,9 bilhões de reais. Segundo Aurélio Valporto, presidente da Abradin, a B3, a bolsa de valores de São Paulo, teria sido conivente com a Americanas, que era listada no Novo Mercado, o mais elevado índice de governança no mercado de capitais brasileiro.